Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O despertar de uma amizade, por Joyce Gomes

Ilustração: Joyce C. L. Gomes
Eu sou o seu amigo. Você é a minha amiga. Conhecemo-nos num tempo remoto, onde as palavras valiam mais do que o dinheiro. E o dinheiro sequer comprava uma fruta.

Você é meu amigo e eu sou sua amiga, desde tempos em que a falsidade existia, mas não era algo prioritário. Conheço-lhe desde o momento em que a sociedade se preocupava com as pessoas, onde as ditas-cujas sequer pensavam apenas no seu “eu” e a bondade e a amizade predominava.

Você é meu amigo? E eu sou sua amiga? Pois é, tempos modernos, preocupações unilaterais onde você só se importa consigo e eu tentando resgatar a sua amizade.

Você se foi, eu me fui. A amizade cedeu o lugar ao egocentrismo e foi tirar férias em algum lugar bem distante e frio.

Você me conhece? E eu? Eu lhe conheço?

A nossa amizade se foi para algum lugar. Cansou-se de tanto individualismo, egocentrismo e se enterrou ao pé de uma árvore bem distante, irrigada com a água abundante do rio; esperando por novas pessoas de corações puros, preocupando e respeitando um ao outro...

Numa bela tarde, uma pessoa encontrou aquele local. Sentiu-se enternecida e energizada com aquelas vibrações passadas. Esperou por algum tempo para ver se algo mais acontecia naquele lugar.

Mas, nada aconteceu. Cansou-se de esperar e estava quase indo embora até que avistou uma vareta jogada um pouco atrás do caule da árvore. Nesse mesmo instante, teve uma ideia...

Aproximou-se então das margens do rio, cujo local havia um pouco de areia. Escreveu letra por letra até concluir a frase. Depois a olhou por completo e foi embora.

Momentos mais tarde, quase ao anoitecer, apareceu uma rapariga para nadar no rio... Quando colocou um dos pés sob a água, pisou em algo liso e caiu de tal maneira que pode ver aquelas palavras escritas na areia:

“Estive aqui procurando por você, meu amigo, mas você ainda não havia chegado. Procure-me e me encontrarás o mais próximo possível”.

A rapariga ficou encafifada com a frase, olhou ao redor e não encontrou mais nada. Tomou o seu banho e depois se sentou na raiz da árvore. Caiu no sono. Acordou algumas horas depois com o barulho de gritos e latidos.

A voz era de um rapaz, que tinha mais ou menos a sua idade, e os latidos do seu cachorro. O cachorro tentava sair da correnteza do rio. E o rapaz gritava:

“Ei, segura ele, por favor! Ele é o meu melhor amigo!”

A garota conseguiu agarrar o cachorro que passava num trecho do rio quase perto da árvore onde ela estava. Agarrou-o e trouxe para próximo da árvore. O cachorro, de tamanho mediano, estava cansado e deitou-se próximo das escritas. O rapaz se aproximou e viu que a frase ainda estava lá. E disse à garota:

“Eu escrevi essas frases para que o meu cachorro conseguisse sentir o meu cheiro, mas nunca imaginei que encontraria uma amiga aqui, que mesmo não me conhecendo, salvou o meu amigão peludo. Agradeço-lhe pela ajuda!”

E, a partir de então, começaram a conversar e a conversar... Quando se deram conta, já eram bem velhinhos e sempre estiveram um do lado do outro, até mesmo no dia em que o cachorro se foi para o céu, e o seu corpo foi enterrado próximo daquela árvore para que assim ele pudesse, mesmo estando nessa imensidão azulada, auxiliando duas pessoas desiludidas encontrar a verdadeira amizade, enfim o verdadeiro sentimento fraterno.

Eu era o seu amigo e lhe perdi. Desiludido fui embora para um lugar qualquer e lá encontrei um outro alguém...

E eu não era o seu amigo e nem você era a minha amiga. Conhecemo-nos num tempo remoto, onde as palavras já não valiam mais nada e o dinheiro comprava tudo. 

Você não era o meu amigo e nem eu a sua amiga, desde tempos em que a falsidade era prioridade para uma sobrevivência social. Conheci-lhe no momento em que a sociedade se preocupava apenas com o dinheiro e sequer conhecia o amor e a amizade ao próximo.

Você não era meu amigo? E eu não era a sua amiga? As situações não mudaram, mas Alguém colocou-lhe em meu caminho e inspirou a fé de que um dia esse amigo aparecerá no meio da adversidade...

Não éramos amigos, mas passamos a ser. Ficamos próximos, nesse tempo finito. Aproveitando cada minuto que Ele nos concedeu... E fomos além, e muito além nos encontramos e cultivamos aquilo que não foi cultivado!

Você me conhece? E eu? Eu lhe conheço?

Talvez...



Joyce C. L. Gomes
18 de maio de 2013




---
Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC), Graduando em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). Conquista da Menção Honrosa e de Prêmios com o grupo Vibe Comunicação na UMC: Relatório Acadêmico "Do Fusca ao New Beetle: Trajetória de Campanhas (Menção Honrosa - 2009)"; Painel, Relatório e Campanha Alternativa "Marketing Esportivo no Futebol" (Prêmio Excelência - 2010); Painel e Campanha Publicitária "Associação Cultural Opereta" (Prêmio Excelência - 2011). Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UMC) com a pesquisa "Trajetória de campanhas do Fusca e o seu impacto sobre o consumidor" (2010/2011). Finalizou recentemente o curso Elaboração de Materiais Didáticos com Recursos Tecnológicos e Produção de Conteúdo para Educação Online (SENAC/2013). Foi voluntária, de 2011 a 2013, como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Instituição Cultural Sem Fins Lucrativos Associação Cultural Opereta. Conquista do Prêmio (2011) e da Menção Honrosa (2012) no 7º e 8º Prêmio Mogi News/ Chevrolet de Responsabilidade Social com o Projeto "Passos da Paixão", da Associação Cultural Opereta. Atualmente desenvolve os blogs Balcão da Arte, Guitarra Flutuante, Joyce Gomes: Professora e Publicitária.



---Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte

sábado, 11 de janeiro de 2014

O que "Folia de Reis?", por Anderson Borges

Vamos conhecer um pouquinho sobre a Folia de Reis. 

Aos que residem nas grandes metrópoles essa manifestação pode ser desconhecida, entretanto é uma das grandes expressões culturais de várias cidades do interior e tem por origem manifestações portuguesas. Mas antes de falarmos sobre a Folia cabe uma breve explanação sobre os Reis Magos.


Reis Magos

Os Magos são relatados no Evangelho de Mateus, sendo que séculos depois seriam chamados de reis e teriam seus nomes revelados: Melchior, Gaspar e Baltazar. Segundo os relatos, quando viram a estrela de Belém no céu, foram visitar Jesus e lhe ofereceram presentes: ouro (símbolo da realeza, presente dado aos reis), incenso (símbolo da divindade, presente reservado aos sacerdotes) e mirra (símbolo de sofrimento e humanidade, oferecido aos profetas). Desse ato de oferta originou-se a tradição de presentear as pessoas no Natal (essa é uma das origens, na Itália, por exemplo, existe a festa da bruxa Befana, que presenteia as crianças). Acredita-se que os corpos dos Reis Magos estejam atualmente na cidade de Colônia (Alemanha).

O dia da visitação dos Reis foi fixado em 6 de janeiro, sendo que em alguns países essa data é mais comemorada do que o próprio Natal e uma das mais importantes da igreja católica. Na tradição brasileira a Folia de Reis tem início no dia 26 de dezembro e se estende até o dia 6 de janeiro, sendo que em alguns lugares as temporadas podem diferir (como no Rio de Janeiro, onde podem chegar até o dia 20 de janeiro). Durante esse período, grupos organizados visitam casas, relembrando a trajetória dos Reis Magos até o Menino Jesus. Esses grupos geralmente são constituídos pelo Mestre, que organiza o grupo, os três Reis, o coro, formado por cantores e instrumentistas e o bandeireiro responsável por carregar a bandeira do grupo. Temos ainda o festeiro, que é responsável por acolher a bandeira em sua casa, de onde o grupo sai e retorna todos os dias, sendo que essa função também pode ser do Mestre ou de alguma pessoa que tenha feito promessa.


Folia de Reis

O grupo está sempre acompanhado de violas, violões, sanfonas e percussões, entoando canções em homenagem aos reis. Ao visitar uma casa, o presépio é saudado, os versos são entoados e o dono da casa oferece algo em troca da visita. É costumeiro também atirar moedas aos palhaços durante as brincadeiras. No Brasil, embora a tradição ainda tenha sacralidade e relação com a Igreja Católica, tornou-se uma manifestação laica, dada as relações entre a festa e elementos das culturas regionais, como as manifestações regionais e folclóricas. Embora algumas companhias sejam tradicionais e com certo reconhecimento regional ou mesmo nacional, várias surgem na busca por perpetuar a tradição em meio à cultura de massas que exerce grande influência principalmente nas regiões metropolitanas. Citamos, por exemplo, o grupo Estrela da Alegria (veja as fotos abaixo), de Poá (SP).



Folia de Reis "Estrela da Alegria", em Poá (Fotos: Edison Santos)

Mais do que uma tradição religiosa e folclórica, a Folia de Reis expressa a alegria, o acolhimento e a criatividade de nosso povo, que assimila as novas possibilidades de manifestação cultural sem esquecer as raízes que fundamentam a cultura de nossas regiões.




Referências

_______. Folia de Reis. Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Folia_de_Reis>. Acessado em: 09/01/2014. 19h01min.

_______. Dia de Reis. Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-de-reis.htm>. Acessado em: 09/01/2014. 19h10min.

_______. Conheça a história de Folia de Reis e sua Tradição no Brasil. Viola Show. Disponível em: <http://www.violashow.com.br/noticias/cultura/2013/05/27/conheca-a-historia-da-folia-de-reis-e-sua-tradicao-no-brasil.html#.Us4Dv7S8plE>. Acessado em: 09/01/2014. 19h20min.

_______. Folia de Reis de Origem Europeia também é tradicional no Brasil. Educação. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/disciplinas/cultura-brasileira/folia-de-reis-de-origem-europeia-festa-tambem-e-tradicional-no-brasil.htm>. Acessado em: 09/01/2014. 19h30min. 

_______. Folia de Reis. Info Escola. Disponível em: <http://www.infoescola.com/datas-comemorativas/folia-de-reis/>. Acessado em: 09/01/2014. 19h40min. 

_______. De Origem Europeia, Folia de Reis Também é Tradicional no Brasil. Notícias UOL. Disponível em: <http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2014/01/06/de-origem-europeia-folia-de-reis-tambem-e-tradicional-no-brasil.htm>. Acessado em: 09/01/2014. 19h50min. 

_______. Restos Mortais dos Três Magos. Portal do Click. Disponível em: <http://portalclick.com.br/portalclick/2014/restos-mortais-tres-reis-magos/>. Acessado em: 09/01/2014. 19h55min. 

_______. Quem Foram os Reis Magos. Abril. Disponível em: <http://super.abril.com.br/religiao/quem-foram-reis-magos-442585.shtml>. Acessado em: 09/01/2014. 20h00min. 





---
Professor da Rede de Ensino de Suzano, Graduado em Pedagogia (UMC), Pós-Graduado em Educação Especial (Uninove), participante da Diretoria Executiva da Associação Cultural Opereta, bem como do Núcleo Teatral e Comunicação da Opereta e integrante do Cia. Siso Teatral. Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UMC) com a pesquisa "Inclusão Escolar: O Processo de Escolarização de Egresso de Escola Especial Marcado pela Tentativa de Retorno Após Inclusão de Ensino Comum", sob a orientação da Profª. Drª Tatiana Platzer do Amaral (Menção Honrosa - 2008). Participou da Oficina de Montagem Teatral "Passos da Paixão" (de 2009 a 2013); do Curso de Artes Cênicas pelo Ponto de Cultura da Associação Cultural Opereta "Projeto Mãos à Obra" (2010), do Curso Livre de Artes Cênicas Associação Cultural Opereta/ APAC (2011); da Oficina "O Espaço Cênico e a Indumentária" na Oficina Cultural Mazzaroppi (2010). Atuou nos espetáculos teatrais "Passos da Paixão" (Direção Cia de Teatro Roda Mundo, Associação Cultural Opereta - de 2009 a 2013); O Auto da Luz (Direção Marco Senna, Núcleo Teatral Opereta - de 2009 a 2012); O Parturião (Direção Patrícia Albuquerque, Associação Cultural Opereta - 2010); Kibuxixo (Direção Terezinha Mesquita, Cia Siso Teatral / Cia Teatral Garra - 2011); Epístola (Direção Terezinha Mesquista, Cia Siso Teatral / Cia Teatral Garra - 2011), A Farsa do Advogado Pathelin (Direção Terezinha Mesquista, Cia Siso Teatral - 2011); A Peça Didática de Baden Baden (Direção Fernandes Júnior, Associação Cultural Opereta/APAC - 2011); Almas de Pedra (Direção Dílson Rufino, Núcleo Teatral Opereta - 2011); Almas Peregrinas (Direção Ailton Ferreira, Núcleo Teatral Opereta - 2012/ 2013); Cabaré (Direção Fernandes Júnior, Cia Siso Teatral - 2012); A Última Instância (Direção Wolney de Assis, Cia Siso Teatral - 2012/2013); Fragmentos: No Escritório de Um Advogado (Direção Geral Tuane Vieira, Direção de Cena Cibele Zuchi, Cia Siso Teatral - 2013). Atualmente exerce a função de Direção Geral da Cia Siso Teatral. E é um dos organizadores do blog Balcão da Arte.






---
Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Devaneio Juvenil, por Joyce Gomes



O passado e o futuro, embora distantes, brincam muito com o presente. A brisa está lá, a estrela está aqui, a lua padece no céu enquanto o infatigável sol labuta na mais triste tarde de outono.

O movimento inconstante dos “seres humanos” torna a vista tão cansada, os lamentáveis sentimentos e o conflito entre o ser e o ter, querer e o não poder brigam insistentemente. O coração quer se rebelar, porém a consciência o detém no mais sombrio esconderijo. 

A fresta da janela já não absorve mais nada. O papo flui constantemente sobre o nada. O vazio se torna tão constante quanto à escuridão do buraco mais fundo onde já se pode chegar. A música ecoa... E percorre um caminho tão longo, mas fica estagnada num ponto próximo, junto de alguém que ora sorri das aflições da adolescência e noutras chora por ser incompreendido. E os demais que não o vêem, sequer se importam com aquilo que circunda aquela mente que é quase tão vazia de experiências.

A canção, mesmo sendo incompreensível, soa tão melancolicamente àquele perdido. O som vai se perdendo e o pensamento ganha ares que os olhos desejam mostrar. O caminho entrelaçado entre o pensamento e os olhos calmamente se encaixam confundindo como uma cadeia genética que ainda não surgiu.

Aqueles olhos brilham ora de confusão, ora de paixão, mas o jovem permanece admirando...

Finalmente o sinal soa e todos saem em disparada à suas casas.



Joyce C. L. Gomes
17 - abril - 2006




---
Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC), Graduando em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). Conquista da Menção Honrosa e de Prêmios com o grupo Vibe Comunicação na UMC: Relatório Acadêmico "Do Fusca ao New Beetle: Trajetória de Campanhas (Menção Honrosa - 2009)"; Painel, Relatório e Campanha Alternativa "Marketing Esportivo no Futebol" (Prêmio Excelência - 2010); Painel e Campanha Publicitária "Associação Cultural Opereta" (Prêmio Excelência - 2011). Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UMC) com a pesquisa "Trajetória de campanhas do Fusca e o seu impacto sobre o consumidor" (2010/2011). Finalizou recentemente o curso Elaboração de Materiais Didáticos com Recursos Tecnológicos e Produção de Conteúdo para Educação Online (SENAC/2013). É voluntária, desde 2011, como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Instituição Cultural Sem Fins Lucrativos Associação Cultural Opereta. Conquista do Prêmio (2011) e da Menção Honrosa (2012) no 7º e 8º Prêmio Mogi News/ Chevrolet de Responsabilidade Social com o Projeto "Passos da Paixão", da Associação Cultural Opereta. Atualmente desenvolve os blogs Associação Cultural Opereta, Balcão da Arte,Guitarra Flutuante, Joyce Gomes: Professora e Publicitária e Passos da Paixão.



---
Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte

sábado, 21 de setembro de 2013

O Encontro Marcado, por Joyce Gomes


No céu, a lua acompanhada das estrelas, eram os ingredientes daquela noite tranquila e ainda serena. Uma noite de verão, uma noite de diversão para uma doce rapariga que encontrara a solidão de um amor não correspondido.

A brisa batia sobre sua face delicada feição, uma brisa cheia de mistérios. Era uma noite infeliz como todas as anteriores, embora ainda prometesse inesperadas surpresas.

Esta rapariga era abordada por suas amigas para que saísse de sua toca e colocasse em prática o esquecimento de alguém que não merecia sua compaixão, devia esquecer a desilusão que havia sofrido há algum tempo atrás.

Iam encontrar num bar requintado para terem algumas horas de diversão.

Logo na porta, o segurança observava atentamente os clientes que iam chegando. Ana Carolina teve a sua atenção presa no ambiente novo desde o momento que colocou o seu pé por lá. Impressionada com a beleza e com uma certa elegância apreciava com olhar aquelas mesas arrumadas, o balcão, com um certo número de pessoas conversando, os garçons procurando alguém para atender, um rapaz tocando seu violão acompanhado de outro, que era o vocal...

- Este bar é muito interessante! Há uma harmonia que jamais senti antes noutro lugar: é tranqüilo, arejado, boa música, pessoas agradáveis...

- Isso porque aqui é somente uma parte, há ainda o outro lado. Lá o som é mais dinâmico, e o pessoal que não namora prefere lá, que aqui. Aqui é considerado o lado dos casais, enquanto lá, dos descompromissados. Vamos ficar aqui por alguns minutos, esperando pela Daniela. Pelo menos acho que ela deva vir... – dizia Duda.

- Não tem problema, daqui a pouco vamos...

Próximas ao balcão esperaram por alguns minutos. O movimento estava aumentando, os garçons, praticamente corriam, até que chegou Daniela.

Os corredores entre as mesas pareciam, cada vez mais, estarem menores. Subiram uma pequena rampa para que trocassem de ambiente. As pessoas estavam próximas da banda que, no momento descansava.

Com todo aquele povo situado mais ao centro, Ana Carolina estava ficando tonta; aquela era a primeira vez, depois de meses trancafiada em sua própria casa. Trombava com um, com outro e sempre pedindo desculpas.

Havia uma mesa vaga próxima da tal banda que retornara há pouco para continuar animando a galera.

- Vamos ficar naquela mesa? – perguntava Ana Carolina.

- Por que não? Ficar pertinho daquele tecladista maravilhoso! – respondia Daniela. – Bom, vão para lá, enquanto eu vou no balcão pegar uma caipirinha...

Aproximaram-se da mesa até que, um dos componentes olhava fixamente para Ana Carolina, mas ela ainda não havia prestado atenção naquele rapaz admirando e possuindo-a com seu olhar.

Sentaram-se e puseram-se a olhar ao redor.

O rapaz permanecia admirando-a com um ar de ternura, com satisfação, com todo carinho que conseguiam perceber no seu gesto arrogante e egoísta de meses atrás. Fitava-a com o olhar de arrependimento e saudade. Apreciava-a com o amor que descobrira, desde o momento que eles brigaram e da maneira mais absurda, ela afirmava indiretamente que ele fora o seu único amor.

Mas o olhar de Ana Carolina ainda não chegara na direção daquele rapaz egoísta, que não se importara com ninguém antes.

A pausa era total, mas Ana Carolina não percebera o motivo. Todos olhavam em direção a banda atentos aos recados que o vocalista dava sobre a sua programação para aquela semana lotada de eventos.

Após um minuto de silêncio Fernando tomou o microfone da mão do seu amigo e disparou a falar:

- Hoje estou com meu coração apertado, quer dizer, faz meses, desde que a garota que amava disse-me algumas verdades. Desde o começo pensava ser eu o certo e não percebi a sua necessidade, sua sinceridade, seu amor por mim. Descobri no momento que a perdi de vez. Não a procurei para tentar consertar tudo de errado que aconteceu. E agora ao vê-la na minha frente mais bonita do que antes, queria pedir mil desculpas e dizer-lhe que nunca a esqueci e sempre a amei, desde o dia que a vi encantadoramente conversando com suas amigas na escola. E como hoje estamos todos aqui, queria que vocês fossem meus testemunhos e certificassem a minha única decisão...

Neste momento ela olhava espantosamente para aquele guitarrista de meia tigela que um dia a ignorou, mas que em muitos outros a fez a mulher mais feliz do mundo. Abriu um enorme sorriso e continuava prestando atenção em cada palavra pronunciada por ele.

- ... Carol, não quero desperdiçar mais nenhum momento, nenhum segundo... Quer se casar comigo? – e tirou de dentro do seu bolso um par de alianças...

Ela olhou para suas amigas e enxergava através daqueles olhares cruzados que tudo fora um plano, um romântico plano...

- Nunca iria adivinhar que tudo isso fosse combinado! Fui traída pelas minhas próprias amigas... Mas depois de tanto tempo ter me conformado de tê-lo perdido, decidida a desistir de te amar, e sem ter conseguido... Eu quero muito continuar te amando, quero muito me casar com você!

Fernando pegou-a pela mão, colocou o anel no seu dedo direito. Puxou-a para que levantasse e deu-lhe um ardente beijo como jamais fizera antes.

Todos aplaudiram e se deliciaram naquele romance não acabado.

De novo com a felicidade estampada em seu rosto, pensativa, mas alegre, esperava seu noivo para acompanhá-la à sua casa, pois queria aproveitar todos os minutos que restavam ao lado dele...



Joyce C. L. Gomes
16 – Junho – 2000




---
Joyce Cristina Leme Gomes
Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC), Graduando em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). Conquista da Menção Honrosa e de Prêmios com o grupo Vibe Comunicação na UMC: Relatório Acadêmico "Do Fusca ao New Beetle: Trajetória de Campanhas (Menção Honrosa - 2009)"; Painel, Relatório e Campanha Alternativa "Marketing Esportivo no Futebol" (Prêmio Excelência - 2010); Painel e Campanha Publicitária "Associação Cultural Opereta" (Prêmio Excelência - 2011). Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UMC) com a pesquisa "Trajetória de campanhas do Fusca e o seu impacto sobre o consumidor" (2010/2011). Finalizou recentemente o curso Elaboração de Materiais Didáticos com Recursos Tecnológicos e Produção de Conteúdo para Educação Online (SENAC/2013). É voluntária, desde 2011, como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Instituição Cultural Sem Fins Lucrativos Associação Cultural Opereta. Conquista do Prêmio (2011) e da Menção Honrosa (2012) no 7º e 8º Prêmio Mogi News/ Chevrolet de Responsabilidade Social com o Projeto "Passos da Paixão", da Associação Cultural Opereta. Atualmente desenvolve os blogs Associação Cultural Opereta, Balcão da Arte,Guitarra Flutuante, Joyce Gomes: Professora e Publicitária e Passos da Paixão.

---
Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

É verdade que o mundo vai acabar?, por Orlando Casares e Elisa Martins



Vira e mexe há boatos de que o mundo vai acabar por conta de um evento qualquer. Mas desde o começo deste ano corre por aí a notícia de que agora é sério: de Dezembro de 2012 ninguém escapa! Será mesmo o fim de tudo que conhecemos? Antes que você se apavore, roa as unhas e corra para se esconder debaixo da cama,vamos investigar a origem desse mal-estar!

Os maias, povo cuja origem remonta aos anos 2.000 a 1.500 antes de nossa era, viviam no México e na América Central e são apontados como culpados por afirmar que o mundo vai acabar. Mas (respire!) a verdade é que nunca tal povo deixou registros sobre o fim do
nosso planeta.

Esse é mais um boato que surgiu porque os maias adoravam estudar o tempo e desenvolveram calendários avançadíssimos. Então, deixemos de pensar em tragédias para conhecer uma história em que vale a pena investir nosso tempo!


A verdade sobre os maias

Poucas civilizações deixaram conhecimentos tão valiosos em áreas como astronomia, matemática e arquitetura como os maias. Eles registravam a variedade de posições do Sol, as fases da Lua, as constelações... Essas informações eram importantes para planejar as épocas de plantio e colheita, prevenir-se de secas ou inundações e, assim, garantir o bem-estar da comunidade.

Se um evento não coincidia com suas observações ao longo do tempo, os maias corrigiam imediatamente até reencontrar a harmonia em seu calendário. Para eles, deveria haver uma ordem perfeita no céu. Isso fez com que eles dedicassem um tempo incontável para observar as estrelas e aperfeiçoassem seu calendário astronômico ao longo de 1.200 anos! Detalhe: sem tecnologia de telescópios, satélites nem GPS.

Além da observação dos astros, os maias dividiam o tempo de uma maneira particular. Esqueça o calendário mais conhecido, que divide o ano em 365 dias. Os maias organizavam o tempo em eras, compostas por 5.125 anos cada uma, ou 13 baktunes, na língua maia. Opa, palavra diferente à vista! Baktunes, na língua maia, são períodos de  aproximadamente 400 anos cada. Multiplicados por 13, eles chegavam perto dos 5.125 anos e formavam uma era.

Só que, para os maias, o fim de uma era significava o início de outra, em uma constante renovação. As datas eram apenas referências para indicar a passagem dos dias. Mas não existia um fim nessa contagem! Assim, para eles, o mundo não acabava, e, sim, o propósito de cada pessoa nele, quando essa pessoa morria.


E essa história de fim do mundo?

Vamos responder já! Existe um lugar no estado de Tabasco, no sudeste do México, que se chama Tortuguero. Ali, arqueólogos encontraram muitos vestígios deixados pelos maias que um dia habitaram o local. Uma das peças que mais chamaram a atenção foi uma inscrição em pedra que faz referência a uma data.Tchan tchan tchan tchan... Qual seria? Aí vai: 4 Ajaw 3 K'ank'in! Não entendeu?

É a língua maia outra vez! Mas, calma, os pesquisadores fizeram correlações desta data com o calendário que conhecemos e chegaram ao dia... Adivinha? Vinte e um de dezembro de 2012! O curioso é que os maias fizeram essa inscrição no século VII! Como poderiam mencionar uma data tão distante da sua época?


Mistério maia

Claro que o mistério extrapolou o meio científico. Rapidamente se espalhou a ideia de que os maias, com todo seu conhecimento sobre o tempo, teriam previsto um grande acontecimento em 2012. Pessoas que acreditam no fim dos tempos e em culturas antigas passaram a afirmar que seria uma grande catástrofe. Elas pensavam que essa poderia ser uma explicação para tragédias que ocorrem no planeta. Pronto! A confusão estava armada! Mas você, que já aprendeu que os maias tinham uma visão cíclica do tempo, já captou que o fim não está próximo,
certo?

Portanto, assim como o calendário que mais usamos adota uma data religiosa (o nascimento de Jesus Cristo) como base para a contagem do tempo, os maias também marcaram uma data importante, como referência para eles: 4 ajaw 8 kumku ou 13 de agosto de 3.114 antes de nossa era, segundo os pesquisadores. Não se sabe ao certo por que os maias determinaram este dia para iniciar sua contagem. Alguns dizem que ela se associa à data em que o Sol alcança a posição mais alta na região em que os maias viviam. Outros afirmam que foi uma escolha ao acaso. O grande problema é que, a partir deste dia, passados 13 baktunes se concluiria uma era. E, bem, você já sabe: segundo cálculos de pesquisadores esta data coincide com 2012.


O fim não está próximo!

A data inscrita em Tortuguero significava, então, o fim de uma era para os maias. A única profecia associada ao monumento de pedra é que a conclusão de 13 baktunes marcaria o retorno de uma importante divindade para o povo maia, o deus BolonYokte, vinculado à criação e à guerra, mas nada sobre o final dos tempos. Como já vimos, a data indicada é 4 Ajaw 3 K'ank'in, que equivale a 21 de dezembro de 2012, e corresponderia, portanto, ao fim de uma era, mas não ao fim do mundo! Além disso, essa era a crença da cultura maia, desconhecida para o resto de um mundo. Nossa, quanta confusão!

Mas, agora, que você já sabe que o fim do mundo não está próximo, essa informação pode ajudar a desfazer o mal-entendido. Afinal, se cuidarmos bem dele, o nosso planeta vai ficar firme por muito tempo. E nada de adiar o pânico e criar outra data para o fim de tudo, heinl? 


Orlando Casares, Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), México, e Elisa Martins, especial para Ciência Hoje das Crianças.


CASARES, O. e MARTINS, E. É verdade que o mundo vai acabar?. Ciência Hoje das Crianças. RJ, julho de 2012. p. 2-5. 


---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A Origem dos Vampiros e Lobisomens, por Charles Marques Lourenço



Há quem jure que já viu, no meio de uma noite escura, um vampiro fugindo apressado, depois de tentar sugar o sangue de mais uma vítima. E tem gente a garantir que, nas cidades do interior, os lobisomens aparecem mesmo, em noite de Lua Cheia.

Lendas como essas vão passando de geração a geração. Mantendo vivos, na imaginação das pessoas, seres que causam certo... Medo! Mas saia que alguns desses mitos podem ter origem em fatos reais? Pois é! Deixe de lado esses dentes de alho e escute essa...

Por muito tempo na história da humanidade, tudo aquilo que não era bem entendido acabava ganhando uma explicação recheada de mistérios. Infelizmente, isso acontecia também com doenças que não apresentavam cura, levando as pessoas atingidas a viverem isoladas por vergonha da própria aparência.

Um grupo de doenças muito raro, conhecido como porfirias, pode ter contribuído – mesmo sem querer – para que a imaginação popular criasse figuras fantásticas, como os vampiros – seres que fogem da luz e alimentam-se do sangue humano – e os lobisomens, criaturas meio homem e meio lobo que tem preferências pelas noites de Lua Cheia.

Mas o que são porfirias? São doenças que afetam tanto crianças e adultos e podem ter como características o aumento da sensibilidade da pele à luz solar, urina de cor avermelhada, dor na barriga, alterações de comportamento e, até mesmo, o crescimento excessivo de pelos no rosto, nos braços e pernas.

O nome porfirias vem de porphyrus, palavra grega que significa “púrpura”, e provavelmente foi escolhido por conta de a urina dos portadores de algumas formas de porfiria ser avermelhada.


Isso pega???
Não! As porfirias são doenças genéticas, ou seja, a pessoa já nasce com ela. Em alguns casos, há sintomas que aparecem no primeiro ano de vida (como a urina avermelhada); em outros, eles surgem apenas quando a pessoa se torna adulta.

A luz solar costuma ser mesmo um problema para os portadores de porfiria. Na pele, que é muito sensível, podem surgir bolhas, que levam à alteração de cor nesses locais ou aumento e pelos.

Alguns pacientes apresentam uma forma mais grave da doença. Nesses casos, as alterações na pele são percebidas nos primeiros anos de vida e podem evoluir para cicatrizes graves. Essas pessoas, podem também ter dentes avermelhados e alteração na gengiva, deixando os dentes mais expostos.

Não é à toa que, no passado, muita gente, com porfiria preferisse ficara mais em casa, evitando sair durante o dia tanto por conta das consequências da exposição à luz solar quanto por chamar a atenção de outras pessoas para as alterações de sua pele.


Surge a lenda!
Para alguns estudiosos, as porfirias podem ter sido a origem das lendas sobre vampiros e lobisomens. Antes que alguém pergunte: não! Não há qualquer registro de que um portador de porfiria tenha atacado uma pessoa, muito menos se interessado pelo sangue humano.

As histórias devem ter sido criadas com base na aparência dos doentes (dentes salientes, xixi cor de sangue, pelos em excesso...) e, também, pelo fato de algumas pessoas com porfiria do tipo aguda apresentarem um comportamento considerado estranho durante as crises de dor na barriga. Essas dores ocorrem porque no sangue desses doentes há aumento de uma substância de nome difícil – o ácido deltaaminolevulínico – o que causa uma verdadeira confusão no cérebro, incluindo alucinações visuais e auditivas.

Somando aparência física e sintomas, o imaginário popular pode ter voad longe dando forma a vampiros e lobisomens.


Papo sério
Para o folclore, a cultura popular, esses personagens são, sem dúvida, muito curiosos. Por outro lado, algumas dessas lendas acabaram por aumentar os preconceitos e mitos em torna das porfirias.

Como portadores de qualquer outra doença, as pessoas com porfiria tem de lidar com as limitações e complicações que uma doença sem cura pode causar e, nessas horas, o preconceito e a falta de conhecimento dos outros só fazem aumentar ainda mais o sofrimento das doentes.

Você acha que a atitude das pessoas de afastar aqueles que as diferentes é mais assustadora do que lendas sobre seres sobrenaturais?

Charles Marques Lourenço
Hospital das Clínicas de Ribeirao Preto,
Universidade de São Paulo.



LOURENÇO, C. L. A Origem dos Vampiros e Lobisomens. Ciência Hoje das Crianças. RJ, outubro de 2011. p. 7-9.

---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

E o Halloween?, por Ana Lúcia Merege


Conversa sobre bruxas leva muita gente a pensar em Halloween. Pois saiba que o Dia das Bruxas não é criação dos Estados Unidos. A festa é muito mais antiga, tendo sua origem na Irlanda Celta, onde, por volta do século V antes da nossa era, ano terminada em 31 de outubro. 

O feriado do Ano Novo era chamado Samhain. Acreditava-se que, nesse dia, os mortos voltavam à Terra. Querendo expulsá-los, os camponeses apagavam o fogo em suas casas tornando-as pouco acolhedoras, vestiam-se como seres maléficos e faziam ruídos terríveis. 

Os romanos que ocuparam o território celta no século I da nossa era integraram o Samhain às celebrações em honra de Pomona, a deusa dos pomares e colheitas. Mais tarde, quando o mundo romano se tornou cristão, os festejos se ligaram ao Dia de Todos os Santos, em inglês All Hollows Day, cuja véspera – All Hollows Eve, de onde vem o termo Halloween – era o dia em que os mortos e as bruxas ficavam à solta. 

O hábito de pedir doces de casa em casa, que vemos nos filmes americanos, vem de uma tradição do século IX, quando os jovens percorriam a cidade pedindo dinheiro, tortas e bolos. Em troca, prometiam rezar pelas almas dos mortos. O costume de se vingar dos que se negassem a contribuir – as travessuras - provavelmente surgiu na mesma época. 

No Brasil, nunca tivemos a tradição do Halloween, mas, há alguns anos, escolas e cursos de inglês começaram a comemorar a data, principalmente, com festas à fantasia. Muita gente torce o nariz, dizendo que isso é coisa de americano, mas, como vimos, a festa vem de muito mais longe. Da mesma cultura, aliás, que começou, há tantos séculos, a comemorar o Natal em dezembro, junto com a festa celta do solstício de Inverno. 

Ana Lúcia Merege, 
Biblioteca Nacional. 

MEREGE, A. L. Quem acredita em bruxas?. Ciência Hoje das Crianças.RJ, outubro de 2011. p. 2-6. 



---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Quem acredita em bruxas?, por Ana Lúcia Merege


Os fãs de Harry Potter talvez não saibam que, durante muitos séculos, as pessoas acusadas de praticar magia foram combatidas, presas e até mortas. Isso aconteceu em vários países da Europa desde a Idade Média, chegando, mais tarde ao Brasil também. Para saber como tudo começou, é preciso voltar no tempo... Você vai fazer essa viagem de vassoura ou de imaginação mesmo?!

Desde que os humanos começaram a se organizar em grupos, lá na Pré-história, havia a crença em algum tipo de magia. Os praticantes – chamados feiticeiros, curandeiros ou xamãs – podiam ser temidos ou amados, mas quase sempre eram respeitados por seu poder.

Os povos da Antiguidade continuaram a praticar a magia. Em muitas delas, os magos eram também sacerdotes dedicados a um deus ou na uma deusa, como acontecida no Egito. Assírios, fenícios, gregos e romanos viviam num mundo em que rituais, sacrifícios e encantamentos eram práticas comuns.

Na Idade Média, as coisas mudaram. A Igreja Católica – que era muito próxima dos reis e tinha como missão fazer com que o maior número de pessoas acreditasse em um único Deus e seguisse os mandamentos do catolicismo -  começou a se sentir incomodada com as práticas de feitiçaria. Acreditava-se que a magia podia ser usada para praticar o mal e muitas leis foram criadas para evitar isso.

Mas, imagine! Àquela época não se tinha entendimento sobre muitos fenômenos naturais, então tinha gente sendo levada ao tribunal sob acusação de fazer cair geada no verão, algo que a meteorologia pode explicar, ou por lançar mau-olhado sobre o gado do vizinho, que, provavelmente, ia mal por conta de alguma doença.




Caça às Bruxas

No final do século 12, a Igreja Católica – com o apoio dos principais monarcas da Europa – tinha se organizado ainda mais para combater todos aqueles que considerava uma ameaça  à doutrina cristã. Criou tribunais que se reuniam durante algum tempo para investigar, julgar e punir os hereges – pessoas cujas crenças e opiniões contrariavam o catolicismo – e, também, acusados de outros tipos de crimes, incluindo, claro, os que envolviam a prática da magia.

No processo investigativo sempre eram feitas muitas perguntas e, por isso, essa prática da Igreja foi chamada de Inquisição (“inquirir” significa “perguntar”).

A primeira investigação começou na França, em 1184, mas logo depois outros países instalaram seus tribunais, e as coisas funcionaram de maneiras diferentes em cada um deles. Na Espanha e em Portugal, por exemplo, o Tribunal do Santo Ofício perseguiu, principalmente, os judeus e muçulmanos, obrigando muitos deles a se converter ao Cristianismo (ou, pelo menos, fingir).

Na Itália, o padre e cientista Giordano Bruno foi queimado no ano 1600, por defender pontos de vista considerados hereges. Galileu Galilei, na mesma época, só escapou da fogueira porque voltou atrás em sua afirmação (embora soubesse estar certo) de que a Terra girava em torno do Sol. Os processos por bruxaria mesmo foram poucos, crescendo a partir do século 16, quando a Igreja aumentou a sua desconfiança em relação a adivinhos e curandeiros.

Ganhava força a ideia de que as bruxas e os bruxos não apenas podiam fazer mal a outras pessoas, mas tinham um “pacto com as trevas”. Essas pessoas começaram a ser acusadas, entre outras coisas, de voar em vassouras, de transformar pessoas em animais e de promover reuniões em que invocavam espíritos maléficos.

A confissão dos praticantes de magia de que a Igreja estava certa em suas acusações era quase sempre obtida por tortura, enquanto a inocência era praticamente impossível de ser provada, exigindo testes absurdos como ficar vários minutos debaixo d’água ou segurar um ferro em brasa com as mãos.

Sabia que uma pessoa podia ser denunciada como bruxa simplesmente por não ir à igreja aos domingos, por ser aleijada ou – no caso das mulheres -, até mesmo, por ter sobrancelhas muito juntas ou pelo menos no queixo?

De um modo geral, houve mais mulheres do que homens entre os acusados de bruxaria. Em primeiro lugar, porque eram elas que mais entendiam de ervas e remédios caseiros, dos quais os inquisidores desconfiavam por achar que podiam ser poções usadas para o mal. Outra razão era porque a Igreja cristã na época afirmava que as mulheres eram mais fracas e maliciosas do que os homens. Dá para acreditar?!


Feitiçaria no Brasil Colonial

França, Portugal, Espanha, Alemanha e Inglaterra são países com muitas histórias sobre o combate à magia. Mas a Inquisição ultrapassou as fronteiras da Europa, chegando aos Estados Unidos, onde aconteceram prisões e mortes pelo mesmo motivo, e também ao Brasil.

Éramos ainda colônia de Portugal e a Inquisição por aqui ficou a cargo do Tribunal do Santo Ofício de Lisboa. Em três ocasiões, foi enviado um “visitador” encarregado de investigar o estado da fé: 1591, 1618 e no período compreendido entre 1763 e 1768, quando a Inquisição, que em Portugal foi extinta em 1821, já estava enfraquecida. Assim como na Europa, o alvo principal foram os hereges e os “cristãos-novos” – judeus convertidos ao catolicismo que eram acusados de manter as práticas de manter as práticas da antiga religião, como, por exemplo, tomar banho às sextas-feiras.

As acusações de bruxaria, por sua vez, baseavam-se, principalmente, na “magia popular” que incluía o uso de ervas, chás, benzeduras e objetos considerados enfeitiçados, como as figas, os amuletos e os saquinhos costurados comumente chamados “patuás”, que vem de tradição africana. Tudo isso era muito comum por aqui. Afinal de contas, as crenças trazidas pelos europeus haviam se misturado, primeiro às dos índios – alguns rituais descritos como sendo de bruxaria são, na verdade, práticas, herdadas de xamãs indígenas – e mais tarde, às dos escravos, muitos dos quais foram acusados de praticar “mandingas”, ou seja, feitiçaria, contra seus senhores.

Assim como na Europa, as denúncias contra os feiticeiros da colônia partiam de pessoas conhecidas, como vizinhos, amigos, e até parentes. Os interrogatórios começavam no Brasil, mas a sentença final era dada em Lisboa, às vezes depois de vários anos a primeira acusação. Até onde se sabe, não houve, entre os considerados culpados de feitiçaria no Brasil, nenhum condenado à morte na fogueira, como chegou a acontecer com os portugueses. No entanto, essas pessoas foram punidas com prisão, violência física, penas de exílio e de trabalhos forçados.


As “bruxas” de hoje em dia

A partir do século 18 a magia começou a perder a sua importância. As descobertas cientificas e as mudanças que elas trouxeram para a sociedade contribuíram para que nos distanciássemos cada vez mais das tradições antigas como parte de uma crença ou religião, e as leis modernas garantem que não sejam perseguidas por isso.

A própria ciência hoje em dia reconhece o valor de algumas tradições. Um bom exemplo são as plantas medicinais, que nunca deixaram de ser usadas e que, hoje são cada vez mais empregadas no tratamento de certas doenças, até mesmo na composição de remédios fabricados em laboratório. Prova de que nossas tataravós acusadas de bruxaria tinham algum conhecimento de que estavam fazendo...

E, mesmo que a gente não se dê conta, a magia popular de nossos antepassados ainda está por aí. É só olhar a nossa volta. Ou será que você não conhece ninguém que só vai ao futebol usando a sua meia da sorte?

Ana Lúcia Merege,
Biblioteca Nacional.

MEREGE, A. L. Quem acredita em bruxas?. Ciência Hoje das Crianças.RJ, outubro de 2011. p. 2-6.


---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte