Mostrando postagens com marcador política cultural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política cultural. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de maio de 2016

Quando a cultura entra em combustão, por Joyce Gomes


As notícias vêm e vão. O que pode acontecer hoje, poderá acontecer amanhã ou talvez já tenha acontecido. As informações estão presentes, mas não conseguimos absorvê-las. A cultura local cedeu vez a cultura global. Não é preciso guardar mais nada porque há, primeiramente, a escrita para fazer isso. Então depositam a história da língua em museus. Dizem como eram e como é. Há vários museus assim. Mas há um único situado em São Paulo que relata a trajetória da Língua Portuguesa. Tal museu fica situado num prédio histórico. A beleza desse prédio já encanta por si só. E ao agregar um museu é algo extraordinário. O fato de ser um prédio belo onde explora a língua é algo que encanta, fascina. É o passado recorrendo ao próprio passado, transmitindo para o nosso presente o que um dia já foi. 

E um dia se ouve a notícia de que tal prédio pegou fogo. Incendiou-se pela ineficácia humana. Ardeu em brasas devido a um mero descaso do poder público e a uma crise irreal que se instalou no coletivo por causa da ganância individual.

E as notícias soltas pelos veículos de comunicação comemoram dizendo que o museu não perdeu nada. E eu pergunto: “como assim não perdeu nada?” E confirmam “O acervo era todo digitalizado”. 

É, lembro bem disso. Já houve cartas, documentos, pensamentos de diversos escritores. Já houve brincadeira lúdica com os prefixos, sufixos, significados de palavras. Houve também exposições itinerantes de grandes escritores. E por aí vai.

Os jornais afirmam que não perdemos nada. E eu afirmo: “perdemos sim". Perdemos dinheiro para recompor aquela beleza de museu. Senão perdermos nosso dinheiro com o poder público diretamente, perdemos indiretamente, pois as empresas que produzem os produtos que compramos o reformularão (e quem sabe repassarão essa despesa no valor dos produtos?) O período em que ele estará fechado não gerará conhecimento ao público que poderia estar passeando no sábado ou domingo lá, conhecendo e se tornando crítico. E afirmo, perdemos o conhecimento, nos tornamos ainda mais alienados em favor dessa política que sempre tenta passar a perna em nós cidadãos. Perdemos, aos poucos, a nossa cultura, a nossa história e ficamos à mercê dessa elite que nos trata como imbecis... 

Digo isso porque “ontem” foi o Museu da Língua Portuguesa, “ontem de ontem” foi o Museu do Ipiranga, o Memorial da América Latina etc. E com isso arruinamos a nossa história, nossa cultura, a nossa identidade. E até quando ficaremos calados com esse descaso?


Joyce Cristina Leme Gomes
03 de janeiro de 2016

---
Joyce Cristina Leme Gomes
Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC) e em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). Conquista da Menção Honrosa e de Prêmios com o grupo Vibe Comunicação na UMC: Relatório Acadêmico "Do Fusca ao New Beetle: Trajetória de Campanhas (Menção Honrosa - 2009)"; Painel, Relatório e Campanha Alternativa "Marketing Esportivo no Futebol" (Prêmio Excelência - 2010); Painel e Campanha Publicitária "Associação Cultural Opereta" (Prêmio Excelência - 2011). Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UMC) com a pesquisa "Trajetória de campanhas do Fusca e o seu impacto sobre o consumidor" (2010/2011). Foi voluntária, de 2011 a 2013, como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Instituição Cultural Sem Fins Lucrativos Associação Cultural Opereta. Conquista do Prêmio (2011) e da Menção Honrosa (2012) no 7º e 8º Prêmio Mogi News/ Chevrolet de Responsabilidade Social com o Projeto "Passos da Paixão", da Associação Cultural Opereta. Recebeu convite e teve 10 poemas publicados na coletânea “Palavra é Arte”, da Cultura Editorial (2014). Atualmente desenvolve os blogs Anderson Borges, Balcão da Arte, Guitarra Flutuante e Joyce Gomes: Professora e Publicitária.
---
Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte / Instangram: balcaodarte

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Agenda Cultural: Bate-papo com Célio Turino, na Associação Cultural Opereta, em Poá


Célio Turino vem a Poá, na Associação Cultural Opereta, no dia 25 de julho de 2015 para bater um papo sobre o tema "Políticas Publicas para Cultura e Ponto de Cultura".

Mas, quem é ele?

Célio Turino, é idealizador do Programa Cultura Viva, Pontos de Cultura entre outros. 

Programa Cultura Viva, política do Ministério da Cultura que marca uma mudança de paradigma na elaboração de políticas públicas para a Cultura no Brasil. O Programa Cultura Viva viabilizou a criação de mais de 2500 Pontos de Cultura espalhados em mais de mil e cem municípios do Brasil, beneficiando mais de 8 milhões de pessoas e criando 30.000 postos de trabalho.


Participe desse encontro!

O que é?:  Bate-papo com Célio Turino
Quando é?: 25 de Julho de 2015
Que horas é?: a partir das 19h
Quanto é?: Gratuito
Onde é?: na Associação Cultural Opereta - Rua Dr. Emílio Ribas, 168 - Vila Sopreter/ Poá
Informações?:  no blog www.acopereta.blogspot.com /e-mail acopereta@gmail.com ou  4638-2700


---
Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte / Instangram: balcaodarte

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ao gigante que acorda, por Claudio Domingos Fernandes

O texto que segue são proposições dialogais, não pretendem ser verdades.

A Democracia não é um estilo de vida, mas um regime político em que o povo governa a si mesmo, quer diretamente, quer por meio de representantes eleitos para elaborar as leis e administrar os negócios públicos, de acordo com a vontade geral. O governo direto só é possível em comunidades e territórios restritos. Hoje, a democracia é fundamentalmente representativa e se pretende como regime político fundado na liberdade, na igualde e na justiça.

A liberdade se desdobra em liberdade política e liberdade civil. A liberdade política consiste no direito de eleger ou ser eleito governante e ou responsável pela elaboração das leis que regem a vida em sociedade. Assim, a liberdade política garante a cada cidadão o direito de escolher quem quiser, mas, impõem-lhe o dever de submeter-se à decisões tornadas lei por aqueles que ele escolheu, como os escolhidos devem se submeter às leis que regem seu mandato. Neste sentido a liberdade política não é absoluta, pois o cidadão não tem o poder de fazer tudo e só o que bem entende. A liberdade civil vincula-se ao direito à vida, à propriedade, à organização política em associações, à livre expressão do pensamento, à religião etc. 

A igualdade também se diferencia em igualdade política e igualdade civil. A igualdade política resume-se ao peso decisório de cada cidadão, ou seja, numa democracia cada cidadão, independentemente de classe, gênero, condição econômica etc., tem o mesmo peso de voto. A igualdade civil define que em uma democracia a lei deve ser a mesma para todos, quer quando protege, quer quando pune. A igualdade democrática em sua esfera civil, não desconsidera as desigualdades que fazem de cada homem um ser diverso de todos os outros. O que a igualdade formal visa combater são os privilégios de classe, nascimento e fortunas, que prevaleciam nos regimes aristocráticos. Devendo ser igual para todos, a lei procura tratar cada um conforme ele é realmente; ideal difícil de atingir, mas do qual as boas leis democráticas se aproximam sempre mais. O pobre não paga o mesmo imposto que o rico; a criança, o portador de necessidades especiais, o idoso, as pessoas em vulnerabilidade social, recebem da lei garantias especiais que o cidadão em condições plenamente adequadas não precisa.

A justiça democrática assenta-se, pois, na valorização das liberdades individuais e ao mesmo tempo considera as desigualdades sociais, que traduzem-se em injustiças e violação de direitos. Deste modo, a justiça democrática refere-se tanto ao direito à igualdade, quanto ao direito à diferença (étnica, cultural, de gênero, de orientação sexual, entre outras); ao reconhecimento não só dos direitos individuais mas também de direitos coletivos (dos camponeses sem terra, dos povos indígenas, das comunidades quilombolas etc.). É do equilíbrio de um lado entre os direitos individuais e coletivos, e a superação, por outro lado, das desigualdades sociais que garantem uma verdadeira justiça democrática.

Sem liberdade, igualdade e justiça, em suas dimensões individuais e sociais, a democracia coloca-se sempre em risco.


Claudio Domingos Fernandes


---
Claudio Domingos Fernandes
Formado em Filosofia (Licenciatura), casado, dois filhos, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo, leciona Filosofia no Ensino Médio. Coordena Oficinas Culturais na Associação Cultural Opereta, onde ensina Italiano. É membro do conselho do Instituto de Formação Augusto Boal. É membro fundador da Associação Cultural Rastilho (A.CURA). Lançou VACUOS MUNDI. E-mail:cdomimgosfernandes@uol.com.br


---
Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Na brisa, por Fernandes Junior



Que a cultura sempre foi pauta secundária na agenda política brasileira já não é novidade. Mesmo com os avanços com o Ministério da Cultura no governo Lula, é perceptível que há algumas barreiras que precisam ser quebradas para que a arte efetivamente se desenvolva a partir de seus fazedores com o apoio do Estado e não sob a sua tutela/controle.

Mas talvez eu não tenha competência para desmembrar a política cultural nacional. Achando que eu possa fazer algumas considerações sobre a cultura regional (Alto Tietê e os reflexos da capital nisso), acho que seria prudente tecer alguns comentários que acho pertinente e assim prosseguirmos.

Fazer projeções é tarefa complexa, admito, mas pelo menos as impressões podem ou não ser sepultadas a partir das atitudes de seus atores.

O Alto Tietê vai mal de cultura! E quando digo cultura deixo claro que os seus fazedores estão na ativa, produzindo como dá, quando dá e com quem pode. Então não são deles que estou falando... por enquanto.

Hoje, aquele conceito do pão e circo não está mais descarado como antes. Ele está mais sutil. Mascaram as ninharias de políticas de balcão com boa vontade governamental ou dão outro nome mais pomposo na esperança de calarem seus fazedores. E está dando certo.

Cada vez mais somos ouvidos, mas estou começando a acreditar que é exatamente pra que os governantes decifrem nossas ansiedades, nossos desejos mais verdadeiros e traduzam para aquilo que lhes convém. E assim cooptam.

E em todo período eleitoral, caímos na ilusão novamente e nos dividimos e nos diluímos e nos esquecemos. Aceitamos a contradição como algo natural quando na realidade deveríamos crer na dialética. Ela sim nos faz avançar e partilhar lutas em comum mesmo nas diferenças mais bruscas.

Não é por maldade dos fazedores, mas é porque o apelo capitalista, com a ilusão que ele dá, causa uma certa nuvem nos olhos. Não vemos ainda que, (como exemplo) por mais que estamos abrindo os shows dos grandes eventos municipais e que isso dá certa visibilidade, o grande artista da indústria cultural ganha por vezes R$ 80.000,00 de cachê e os da cidade R$ 1.000,00 no máximo.

Vendem aí a ilusão de que isso ajuda o currículo do artista e blá blá blá. Não sei se o artista em questão acredita nisso, mas quem contrata com certeza não acredita. O que ele precisa é “anuvear” os olhos do artista local.

Isso se dará em todas as vertentes: literatura, dança, teatro, artes plásticas, vídeo e todas as ramificações que delas variam. Os tempos futuros tendem a ser da mesma forma. Essa ilusão de que nós, fazedores, estamos cada vez mais inclusos no pensamento de política pública, é falsa. Ainda estamos com as nuvens coloridas e sem cheiro do capitalismo... e estamos nessa brisa.

Fernandes Junior – diretor do Teatro da Neura e curioso 
20/11/2012



--
Fernandes Junior

Licenciado e Bacharelado em Teatro pela Universidade Anhembi Morumbi além de Tecnólogo em Teatro pelo Colégio Estrutural, é diretor do Teatro da Neura e também ator. Curioso em políticas públicas para as artes, escreve no blog Ato Falho, pensamentos sobre esses temas. Colabora para a direção em outros projetos além de tentar manter certo ativismo cultural. Facebook: Fernandes Junior.


---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte