Mostrando postagens com marcador são paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador são paulo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Agenda Cultural: Núcleo Teatral Opereta e Cia. da Rosa participam do Batucafro, em SP

O BatucAfro é uma celebração que acontece todo 2º sábado do mês na Casa de Cultura do Itaim Paulista, onde pode-se dançar, cantar e tocar. Um espaço aberto onde, em cada edição, um orixá é homenageado. Além da festa, o projeto propõe workshops e palestras que envolvem a cultura popular e a afro-brasileira e o mapeamento dos espaços e grupos que trabalham com a mesma. O resultado será um vídeo documentário sobre esses espaços de resistência cultural.

Oyá, será a homenageada na 13ª Edição do projeto e será realizado no dia 08 de novembro, a partir das 16 horas, em comemoração ao Mês da Consciência Negra. Para esta grande festa e celebração, os grupos convidados são: Baque Bolado, Batakerê, Cia. Lelê de Oyá, Escola de Samba Santa Bárbara, Núcleo Teatral Opereta e Cia. da Rosa, além de dança afro e contação de história.

A Cia. da Rosa e o Núcleo Teatral Opereta, ambos de Poá, representarão a cidade com os espetáculos "As Lavadeiras: Seus Contos e Encantos" e "Opereta Canta Zumbi", respectivamente.

Confirme a sua presença no evento do Facebook: BatucAfro - Conciência Negra - Homenagem a Oyá.

Serviço:
O quê?: Batucafro 2014 - 13ª Edição
Quando?: 08 de Novembro
Onde?: Casa de Cultura do Itaim Paulista (Rua Barão de Alagoas, 340)
Horário?: A partir das 16 horas
Quanto?: Entrada Gratuita
A partir de qual idade?: Livre
Informações?: (11) 4638-2700 (Associação Cultural Opereta) / 99318-8001 (Marco Senna)

---
Balcão da Arte 
E-mail: balcaoarte@gmail.com / Facebook: Balcão da Arte / Comunidade no Facebook:  Balcão da Arte / Google Plus: Balcão da Arte / Comunidade no Google Plus: Balcão da Arte / Twitter: @balcaodarte

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Agenda Cultural: Apresentação de curtas metragens no Cine Olido, em São Paulo

Outra sugestão dada por Bruno S Donega, do Sebo E Antiquário "Eu achei", é o festival de curta- metraagens que será apresentado no Cine Olida, em São Paulo. Esse festival foram divididos em vários programas, postaremas esses programas separadamente para evitar confusões com os horários.

Vale a pena assistir!

Anderson Borges e Joyce Gomes
Organização Balcão da Arte

-- 
O Cine Olido em 2013 privilegiará curtas-metragens brasileiros cujo foco será animações para adultos e comédias contemporâneas.

Programa 1

Desirella (Brasil, 2004, 11’, Animação, cor, DVD)
Direção: Carlos Eduardo Nogueira
Sinopse: Vivendo num conto de fadas, a velha Desirella numa desesperada tentativa de transcendência, obtém um par de sapatos mágicos que a torna jovem.

--
Deu no jornal (Brasil, 2005, 3’, Animação, cor, DVD)
Direção: Yanko del Pino
Sinopse: A saga de um solitário e suas fantasias desenhadas em esferográfica num jornal velho.

--
Engolervilha (Brasil, 2003, 8’, Animação, cor, DVD)
Direção:
Marão
Sinopse: Trabalho coletivo composto por vinhetas bizarras ou escatológicas. Pense no que uma ervilha pode sugerir numa animação: verdinha, marronzinha... O sórdido, o pútrido e o fétido. O bizarro, o esctológico e o grotesco. Ervilhas, urina e galináceas.

--
O2 Conjunto Residencial (Brasil, 2005, 5’, Animação, cor, DVD)
Direção:
Adams Carvalho
Sinopse: Numa tediosa noite de sábado, um morador de um prédio residencial decide fixar um trampolim na janela de seu quarto. Foi a melhor coisa que eles acharam pra fazer num sábado à tarde, e agora todos querem experimentar as sensações....

--
Onde andará Petrúcio Felker? (Brasil, 2001, 11’, Animação, cor, DVD)
Direção:
Allan Sieber
Sinopse: A conturbada trajetória do artista plástico perfomático Petrucio Felker é traçada por meio de diversos depoimentos.

--
Pax (Brasil, 2005, 14’, Animação, cor, DVD)
Direção:
Paulo Munhoz
Sinopse: Quatro religiosos se reúnem para discutir a violência do mundo atual e encontrar uma resposta para isso. Será que encontram?


--
Quando? e Que horas? 29/01 – 15h / 01/02 – 19h / 03/02 – 17h
Onde? Cine Olido - Avenida São João, 473 - Térreo ao 2º andar - SP
Classificação Indicativa? Sim, 16 anos
Quanto? R$  1,00 (inteira) e R$ 0,50 (meia)
Informações? Nos telefones 3331-8399 ou 3397-0171

---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte

Agenda Cultural: Frevo Rasgado com Paulo Neto, na Terça de Samba, em São Paulo

Recebemos hoje uma dica para nossa agenda cultural de Bruno S Donega, do Sebo E Antiquário "Eu achei", e estamos compartilhando com todos aqui. 

Esperamos que gostem dessa dica e assistam ao show!

Anderson Borges
Joyce Gomes
Organização Balcão da Arte


--
 É um show que conta a história do Frevo no panorama musical brasileiro, através de um repertório que passeia por diferentes fases e por autores de vários lugares do Brasil que dedicaram composições seu ao gênero que perpetuou o carnaval de Recife.



Repertório
Frevo Rasgado (Gilberto Gil/Bruno Ferreira)
Deixa Sangrar (Caetano Veloso)
Energia (Lula Queiroga)
Atrás do trio elétrico (Caetano Veloso)
Frevo (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Frevo diabo (Edu Lobo/Chico Buarque)
Banho de cheiro (Carlos Fernando)
Frevo mulher (Zé Ramalho)
Festa do interior (Moraes Moreira)
Bicho maluco beleza (Alceu Valença)
Oh! Bela (Capiba)
Não existe pecado ao sul do Equador (Chico Buarque)


Quando?  Dias 19 e 26 de fevereiro de 2013
Onde? Vitrine da dança
Que horas? 19h
Onde: Avenida São João, 473 - Térreo ao 2º andar (SP)
Informações: Telefones: 3331-8399 ou 3397-0171


---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Agenda Cultural: Sarau Opereta

Luciene de Azevedo tocando o instrumento num dos saraus da Opereta

Teatro, Dança, Música, Fotografia, Vídeo, Poesia...

Leve seu número, cena, esquete, obra e apresente-se! 

Dia 24/11/2012 - 19h00m


Associação Cultural Opereta
Endereço: Rua Dr. Emílio Ribas, s/nº - V. Sopreter (próx. à Telefônica/Vivo)
Informações: (11) 4638-2700




---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Zé Moraes e a política pessoal, por Sacolinha



Então foi assim que tudo aconteceu.

José Moraes tinha apenas 22 anos quando decidiu entrar na política e fazer diferente. Isso porque odiava ver as besteiras que os partidários cometiam. Parece que nada dava certo e o país não crescia.

A ideia ocorreu quando estava numa lotação e ouviu a conversa de dois sujeitos sobre o novo escândalo na política. Um deles disse:

- O pior é que vai ser sempre assim, entra um e sai outro e nada muda. Não chega um pra fazer diferente.

Fazer diferente. Essas palavras ficaram na sua cabeça:

Faz diferente, fazer diferente, fazer diferente, fazer diferente...

E ficou pensando em algo novo. Um desafio no seu caminho. Pensou tanto que, ao cair em si, já havia passado do ponto em que ia desembarcar. Quando desceu, viu que teria que andar uns 10 minutos para chegar ao local onde deveria saltar.

Começou a caminhar resignado. Na verdade, aqueles dez minutos de andança não significavam nada perto do desafio que tinha pela frente.

- Será?

Perguntou pra si mesmo, espantando o transeunte que passava ao seu lado. E começou a aceitar aquela súbita Idea de ser o político diferente.

Na casa da namorada, quase não abriu a boca, contrariando o jovem falador que sempre fora.
Em resposta às perguntas que lhe jogavam, só dizia:

- Nada não.

E passou todo o domingo assim, alheio às conversas dos sogros e cunhados, alheio ao beijo da companheira e alheio ao filme que ela alugara.

Na manhã do dia seguinte, José Moraes foi o primeiro aluno a chegar na universidade onde cursava jornalismo. Quando os portões se abriram, ele correu em direção à sala de apoio ao estudante que era coordenada pelos próprios alunos e tinha o objetivo de adquirir benefícios aos mesmos.

Ainda não havia ninguém, resolveu esperar, mas ficou nervoso quando tocou o sinal para o início da primeira aula.

- Vagabundos! Como é que vamos mudar as coisas desse jeito? Cadê vocês para irem à luta?

Correu até a livraria e verificou o preço do livro “O pensamento vivo de Che” que há muito via exposto na vitrina. Consultou a carteira; nada de dinheiro. Comprou no cartão mesmo.

Na sala, mal prestava atenção na fala do professor. Lia trecho das ideias do revolucionário Ernesto Che Guevara e ficava a imaginar como poderia colocá-las em prática nos dias atuais.

Dali pra frente ele só tinha um pensamento: fazer diferente. Entrar na política, ser um participante ativo, discutir, debater, argumentar e até brigar, se possível, para defender a vontade da maioria dos excluídos, dos sem tetos, sem terras, sem reforma agrária, dos sem saneamento básico, dos sem saúde, dos sem nada. Queria era trabalhar em prol dos mais humildes. E pra isso, estava disposto a tudo. Tanto que se filiou ao movimento estudantil e a um partido de esquerda. Começou a se envolver em ocupações e acampamentos de invasões.

Não estava para brincadeira. Mudava a cada dia. Vanessa já não sentia mais os carinhos intensos que recebia do namorado. As conversas não eram mais sobre o casamento e nem os futuros filhos do casal. José Moraes já não era mais o mesmo. E diante das várias mancadas que deu, Vanessa resolveu terminar o relacionamento de seis anos.

José achou melhor assim, não ia mesmo ter tempo para namorar. Dali pra frente tinha que se dedicar ao máximo para atingir o seu objetivo. Fazer diferente.

Em casa também mudou. Chegou a discutir diversas vezes com a irmã por ela estar assistindo às novelas.

- Poxa vida, desliga essa merda, c*****. Se fosse pelo menos o telejornal...

Diante do comportamento de revolução, os amigos de infância começaram a se afastar. Não acompanhavam o seu raciocínio. E os novos amigos, militantes de movimentos políticos e sociais, apelidaram-no de Zé. Era agora o Zé Moraes.

E quem não conhecia o Zé Moraes?

O jovem que aparecia em várias reportagens de manifestação a favor do passe livre para estudante, contra o aumento da passagem de ônibus, contra a privatização do metrô, contra tudo de ruim para o povo.

Ele peitou a polícia várias vezes, inclusive tem duas marcas roxas no corpo. Resultado de balas de borracha disparadas em meio a manifestações.

E não teve jeito. Saiu mesmo de casa. As brigas eram com todos agora, os pais não entendiam o seu ideal. Sendo assim, juntou as roupas e livros, e foi dividir um apartamento com um companheiro no centro de São Paulo.

Terminou o curso de jornalismo aos trancos e barrancos, pois não estudava para as provas e havia deixado de participar do grupo de estudo.

Era ano de eleição, mas cedo demais para se candidatar, então apoiou ativamente dois candidatos do seu partido, um vereador e um prefeito.

Foi às portas, passou de casa em casa, subiu nos caminhões e fez discurso bonito, cheio de indignação e verdades, participou de dezenas de reuniões, carregou bandeiras e entregou panfletos. Tudo em prol da mudança. No fim, o prefeito foi eleito, mas o vereador não atingiu os votos válidos. Zé Moraes ficou contente, no campo majoritário conseguiu eleger o homem.

Foi convidado a assumir a Secretaria da Juventude, e isso não havia negociado em momento algum. Mas não deixou de aceitar, era mais um passo para o seu crescimento.

Pediu demissão no seu antigo emprego e, no primeiro dia útil do ano, assumiu a nova cadeira.

Começou com cortes.  Não por esse ou aquele pertencer à administração anterior, mas por saber que ninguém ali trabalhava. Antes, aquilo era um verdadeiro cabide de empregos. Filho de tal vereador que apoiou o projeto tal, mas pra isso pediu uma vaga para o seu filho. Coisas de política. Mas com Zé Moraes isso iria mudar, afina, ele veio pra fazer diferente.

Devido às demissões, os primeiros dias foram turbulentos na secretaria. Após esse pesadelo, começou a pensar apenas nos projetos.

***

Dois anos se passaram e, no congresso estadual, o balanço do partido político deu nota 10 para a atuação da secretaria de Zé Moraes. Foi a partir daí que ele começou a pensar seriamente em sair candidato a deputado estadual na eleição seguinte. Pra isso, já contava com bastantes aliados, tanto do partido quando da sociedade civil organizada.

Começou então a se articular.

Nas prévias do seu partido, a sua candidatura foi aceita quase com a maioria absoluta de votos. Era agora pré-candidato. Mais um degrau vencido, pois sabia que não era fácil, antes mesmo de ser aceito pelo povo, tinha que passar pelo crivo dos companheiros do partido, e ali a briga era feia. Cobra comendo cobra. Muita articulação e argumentos eram o que contava.
O próximo passo foi, no ano de eleição, pedir afastamento do cargo que ocupava na prefeitura. Tarefa cumprida no mês de abril. Aí começou a angariar fundos para a sua campanha.

Logo de início, comprometeu o dinheiro que havia em sua conta bancária, não ia depender terceiros para isso, e sabia que grana em época de campanha eleitoral é questão de negociação política.

Ele estava convicto de sua escolha, desejava com todas as forças assumir um cargo na Assembleia Legislativa e mostrar ao povo que tinha alguém por eles. E para os deputados existentes, iria dar uma aula de política digna. Ia mesmo fazer acontecer.

Acreditava nisso, e muitos viram que Zé Moraes era verdadeiro. Ia fazer diferente.

***

No mês de julho é que liberaram a campanha eleitoral. A partir daquele ano estava proibido showmício, cartazes, outdoors, bonés e camisetas estampadas com o nome de qualquer candidato. Mas Zé Moraes não perdeu muito com isso. Gostava do corpo a corpo, e tinha fé que assim iria vencer.

Numa reunião do partido, deu risada quando ficou sabendo de alguns candidatos para aquela eleição; um músico que cantou forró a vida toda porque não sabia fazer outra coisa e um homossexual de 70 anos, estilista e apresentador de programa de televisão desses que passam no período da tarde e que ridicularizam o povo.

Esses dois nunca, nem uma vez sequer, subiram numa plenária de câmera municipal. Outros candidatos também arrancaram risos de Zé Moraes; um ex-prefeito da cidade de São Paulo que foi acusado várias vezes de lavagem de dinheiro e chegou a ir preso. E dois outros que estiveram envolvidos no maior escândalo da história do Brasil. Sem contar outras dezenas de candidatos pequenos partidos que nunca vira e nem ouvira falar. Não tinham envolvimento político. Zé Moraes tinha, e cada dia de campanha via que suas chances eram grandes.

***

Véspera de eleição. Ele se esgotou. Foram três meses de andanças, conversas, passeatas, reuniões em bairros, cansaço, pão com mortadela e água, discussão, conscientização popular, entrevistas, elaboração de plano de governo, composição de possível assessoria... e finalmente chegara o dia. Estava feliz. Nada de promessas, compra de votos e cestas básicas. Tinha a plena consciência de que fez uma campanha limpa e honesta.

Votou na parte da manhã, passou em algumas escolas para cumprimentar amigos e eleitores. Almoçou com companheiros partidários e de tarde foi para o diretório do partido, onde continuou a noite toda aguardando o resultado das eleições.

Às 11 da noite, começaram a aparecer os primeiros políticos eleitos do estado de São Paulo.
A uma da manhã um site na internet dera o resultado completo da eleição estadual. O nome de Zé Moraes não constava na lista de deputados eleitos.

Aquilo foi mais que uma facada na barriga. Não podia esperar, a hora era agora, nada de próxima eleição. Ele estava ali, vivo, com desejo mortal de fazer diferente. Mas algo dera errado e não fora escolhido para representar o povo.

O que doeu mais foi ver que todos aqueles candidatos medíocres e corruptos foram eleitos. Ouviu na TV a fala do deputado homossexual.

O repórter perguntou qual seria a primeira coisa que ele iria fazer como deputado. A resposta arrancou lágrimas dos olhos de Zé Moraes.

- Não sei, meu bem. Primeiro, eu quero ser apresentado à minha sala, à minha mesa, quero conhecer os móveis que vão compor meu ambiente de trabalho. Não tenho projetos, não cresci lá dentro, vou ter de aprender tudo.

E o repórter insistiu numa nova pergunta, a qual o deputado respondeu:

- Não tenho sensação nenhuma. Já sou uma vedete. Já tenho fama há muito tempo, pra mim é só um emprego a mais.

O mais bem votado fora o ex-prefeito da cidade, com o maior número de acusações de desvio de dinheiro.

Naquele momento, Zé Moraes nem pensou no que ia falar:

- Um povo que ele esses canalhas tem é que sofrer mesmo.

No dia seguinte, em reunião com alguns partidários para discutir e analisar as eleições, ele ficou sabendo sobre muitos atos de corrupção dentro do próprio partido, o que diretamente prejudicou a sua eleição. Irritou-se, resolveu tirar satisfações e, se fosse verdade, levaria a público, porque era homem digno.

Arrumou encrenca e se envolveu em briga física com os colegas de partido. Ameaçaram-no de morte.

A partir do ocorrido, Zé Moraes ficou perplexo e perdeu as esperanças. Passou um dia inteiro dentro do apartamento, refletindo sobre a sua militância.

Envolveu-se em diversos movimentos sociais, políticos e estudantis. Filiou-se a um partido em que acreditava. Passou muita fome, necessidades e várias vezes ficou doente em congressos e bienais pelos estados do Brasil. Lembrou-se das viagens que fazia dentro de ônibus fechado e  cheio de jovens fumando maconha. Ele passava mal, era a o único careta  da turma. Quantas vezes não fora criticado por isso.

Largou família, namorada, amigos antigos, deixou de lado a profissão de jornalista, entregou panfletos de conscientização, andou de sol a sol.  Enfim, viveu pela militância, pra fazer diferente, e no fim, acabou sendo traído, pelo povo e pelos companheiros.

Concluiu que o país estava sem rumo mesmo, que tudo estava perdido e não tinha mais jeito. Então resolveu fazer uma política pessoal; se desfez de tudo.

Juntou suas decepções e saiu mundo afora.

Zé Moraes começou a fumar maconha. Virou hippie. Quem passa pelas praias pode vê-lo, com cabelo grande e barbudo, vendendo pulseiras e artigos confeccionados por ele mesmo.

Outubro de 2006.

Sacolinha é o psedônimo de Ademiro Alves de Sousa, nascido em 09 de agosto de 1983 na cidade de São Paulo (SP). Filho de Maria Natalina Alves e neto de Geralda Aves de Sousa, ambas do município de Chapada do Norte, em Minas Gerais. Casado com a professora e historiadora Landy Freitas, com quem teve uma filha de nome Alanda Alves de Freitas. Sua infância e adolescência foram vividas na Cidade Líder, bairro da Zona Leste Paulistana, mas passou a morar em Suzano (SP) em 1998 aos 16 anos.

SACOLINHA. Manteiga de Cacau. SP: Editora Ilustra, 2012.


---
Balcão da Arte 
Contato: balcaoarte@gmail.com 
Facebook: Balcão da Arte
Google Plus: Balcão da Arte

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Agenda Cultural: Peça Teatral "Orfeu", na Associação Cultural Opereta (Poá)

Ponto de Cultura Opereta - Projeto Mãos à Obra

A Cia. Teatral Mãos à Obra apresenta 'Orfeu', texto montado pelos alunos do 1º Semestre de 2012.



Dias: 18/08 (20 horas) e 19/08 (18 horas)
Local: Associação Cultural Opereta
End.: Rua Dr. Emílio Ribas, s/nº - V. Sopreter (próx. à Telefônica/Vivo)
Ingressos: Serão trocados por um brinquedo novo ou usado (em bom estado)
Informações: (11) 4638-2700




Sinopse
A montagem é uma livre adaptação de Orfeu da Conceição que também foi adaptada em forma de peça musical do mito grego de Orfeu transposto à realidade das favelas cariocas. A obra marca o encontro artístico do autor Vinícius de Moraes com Antonio Carlos Jobim que musicou todo espetáculo estreado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 25 de setembro de 1956 com cenários de Oscar Niemeyer. Encenado pelo Teatro Experimental do Negro de Abdias Nascimento, foi a primeira vez que um elenco de atores negros ocupava o mais famoso teatro brasileiro. A Cia. Teatral Mãos à Obra reconta esta que é uma grande história que reúne os principais temas poéticos da obra de Vinícius: a aliança entre a música e a poesia, a presença marcante da mulher, a obsessão pela morte e a fé no amor absoluto. Num feriado de carnaval, a história de amor de final trágico entre Orfeu, um sambista que vive no morro e Eurídice. A paixão do jovem casal desperta o ciúme e o desejo de vingança em Mira, ex-namorada do sambista, que leva Aristeu, apaixonado por Eurídice, a matá-la numa terça-feira de Carnaval. Orfeu, ensandecido, desce do morro e vai até o Clube Os Maiorais do Inferno tentar reencontrar Eurídice. De volta à favela, solitário, ele é morto por Mira e pelas outras mulheres açuladas por ela.

Alunos/Artes Cênicas: Alexandre Manzanno - Camila Carrara - Erick Malccon - Fílipi Lima - Jack Menino - Julia Pascoal - Juliee Sousa - Kewelliyn R. Oliveira - Lucia S. C. O. Silva - Matheus D. Oliveira - Pâmella Carmo - Patty Nascimento - Sú Ferraz - Thais Rodrigues - Yara Regina

Alunos/Produção Cultural: Adriana M. da Silva - Bruna T. S. Moura - Daniel da S. Leite - Daniel J. de Q. Netto - Eudes de S. Santos - Isabella F. dos Santos - Kewelliyn R. Oliveira – Leandro F. da Silva - Lorraine L. Souza - Magno Oliveira - Marco A. dos Santos - Matheus D. Oliveira – Rodolfo Lopes - Ronaldo da S. Costa - Swan Prado - Thais Rodrigues – Thati Fernandes - Thiago S. S. Moura - Vanessa Suzart - Waldecy Ferreira - Wilson de S. Junior

Alunos Design Gráfico: Anderson L. de Azevedo - Fabio B. de Oliveira - Neusa D. F. Domingos - Rodolfo Lopes - Suame G. M. de Azevedo - Waldecy Ferreira

Texto:Orfeu da Conceição
Autor: Vinícius de Moraes
Músicas: Antonio Carlos Jobim
Adaptação do Texto e Direção: Marco Senna
Expressão Vocal: Luciene de Azevedo
Maquiagem: Ivon Mendes
Figurino e Adereços: Ana Ribeiro
Cenografia: Angelica Andrade
Iluminação: Tomate Saraiva
Sonosplatia: Taciano Holanda
Foto e Vídeo Digital: William Ferro
Elaboração de Projetos: Wal Volk
Músicos Convidados: Alexandre Guilherme – Erick Malccon – Fílipi Lima
Apoio: Anderson Borges – Cláudio D. Fernandes – Heline Albano - Joyce Gomes

Realização: Associação Cultural Opereta - Governo do Estado de S. Paulo/Secretaria de Cultura - Ponto de Cultura-Pulsando o Brasil - Ministério da Cultura
Apoio Cultural: Edcon Contabilidade - Prefeitura de Poá

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Ara Pyau Liturgia para o Povo Invisível", Teatro Girandolá

No período de 27 de julho a 05 de agosto de 2012, a Associação Cultural Opereta,  Organização Não Governamental (ONG) - Sem Fins Lucrativos, vem realizando a IV Mostra de Artes Cênicas Opereta. Durante esse período a ONG vem contando com diversas atrações no espaço físico de sua instituição, bem como próxima a ela. 

No primeiro dia do evento, a ONG contou com a presença do grupo Teatro Girandolá com a peça "Ara Pyau Liturgia para o Povo Invisível".



Fotos: Joyce Gomes

As apresentações ainda estão rolando até o dia 05 de agosto. Acesse ao post Agenda Cultural: Mostra de Artes Cênicas Opereta para conhecer as próximas apresentações teatrais. 

Vá prestigiar esse evento na Opereta!


--
Joyce Cristina Leme Gomes
Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC), Graduando em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). É voluntária como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Organização Não Governamental (ONG) Associação Cultural Opereta. Atualmente desenvolve o blog da Associação Cultural OperetaJoyce Gomes: Professora e Publicitária e Cantinho das Letras.

domingo, 22 de julho de 2012

Agenda Cultural: Inscrições abertas para oficinas no Oficina Cultural Amácio Mazzaropi, em São Paulo



A Oficina Cultural Amácio Mazzaropi abrirá novas inscrições no dia 16/07 a partir das 13h. A programação é composta por atividades nas áreas de Circo, Dança e Teatro.



Audivisual

Cine-Sarau Mazzaropi: As Curiosidades de um Caipira
Coordenação: Arnaldo D’Ávila e Jedsom Kárta
27/8 e 10/9 – segundas-feiras – 19h30 às 21h
Indicação: a partir de 14 anos
30 lugares por encontro
O sarau abordará importantes fases da vida e da obra de Mazzaropi, por meio de trechos de filmes, esquetes, leituras de poesias, relatos e canções, tendo ao final um jogo de improvisação entre os artistas apresentadores e o público.
Arnaldo D’Ávila é ator, diretor e dramaturgo. Em 1995, foi premiado como melhor ator e diretor no VI Festival Gaúcho de Teatro pelo espetáculo “Nuestra América”.
Jedsom Kárta é ator, diretor, músico e professor. Especialista em Arte, Comunicação e Educação pela Faculdade Paulista de Artes de São Paulo. Como ator, destacou-se nas montagens “Fred & Jack” e “Tirando o Pé da Lama”.



Circo

Oficina: Acrobacias Circenses de Solo para Iniciantes
Coordenação: Erickson Almeida
4/8 a 29/9 – sábados
Turma A: 14h às 16h (crianças entre 7 e 10 anos)
Turma B: 16h às 18h (crianças e adolescentes entre 11 e 15 anos)
Inscrições: 16/7 a 3/8
Seleção: primeiros inscritos
30 vagas (15 por turma)
Oficina de iniciação ao mundo circense por meio de jogos e acrobacias de solo – cambalhotas de frente, de costas e com voo – que trabalham posturas, desenvolvem habilidades corporais e, principalmente, divertem.
Acrobata e ator, Erickson Almeida se formou palhaço com os Doutores da Alegria e foi orientado pelo especialista em circo Mário Bolognesi. Entre outros espetáculos, atuou em “O Bobo do Rei”, que conquistou o Prêmio APCA de Melhor Elenco em 2010.



Dança

Projeto Baitaclã: Danças e Ritmos Brasileiros
Coordenação: Cia. Baitaclã
11/8 e 15/9 – sábados – 18h30 às 21h30
Atividade livre
Encontro de cultura popular que convida todos os públicos a participarem tocando, dançando e cantando ritmos brasileiros, como maracatu, samba de roda, coco, jongo, forró e baião.
A Cia. Baitaclã foi fundada em 1997 com o objetivo primordial de trabalhar com o teatro cômico-popular: a linguagem circense e musical, as máscaras, as manifestações populares do Brasil e o teatro de rua e em espaços alternativos.

Oficina de Danças Brasileiras
Coordenação: Fláira Ferro
27/8 a 26/9 – segundas e quartas-feiras – 18h30 às 21h30
Público: dançarinos, atores e demais interessados a partir de 15 anos
Inscrições: 16/7 a 22/8
Seleção: primeiros inscritos
20 vagas
Oficina de introdução ao vocabulário corporal das danças brasileiras, a partir do trabalho com oito manifestações da cultura popular: frevo, coco, caboclinho, capoeira, cavalo-marinho, maracatu rural, maracatu nação e afro.
Atriz, bailarina e coreógrafa, Fláira Ferro iniciou sua carreira como aluna do lendário passista de frevo Nascimento do Passo, na Escola Veneza Brasileira de Frevo. Apresentou-se em países como Alemanha, Inglaterra, França, Suíça e Estados Unidos, entre outros. Atualmente, é integrante da Antonio Nóbrega Cia. de Dança no Instituto Brincante.



Teatro/ Música/ Artes Plásticas

Oficina: Brincadeira de Boi
Coordenação: Iara Castro e Rafael Kalunga
4/8 a 29/9 – sábados – 13h às 16h
Público: crianças entre 7 e 12 anos
Inscrições: 16/7 a 3/8
Seleção: primeiros inscritos
20 vagas
Por meio da criação de instrumentos, figurinos e adereços, de atividades de musicalização e de jogos teatrais, as crianças vivenciarão cada etapa da concepção e criação de uma apresentação do bumba-meu-boi, folguedo popular de grande riqueza cênica e musical.
Iara Castro é arte-educadora e atriz, graduada pela Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Desenvolve pesquisas em teatro de máscaras, clown e mímica corporal dramática.
Rafael Kalunga é artista plástico e percussionista, formado pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia. Pesquisa, cria e produz artesanalmente instrumentos musicais e objetos sonoros



Teatro

Oficina de Montagem Teatral: Shakespeare, Nosso Contemporâneo?! 
Coordenação: Heitor Saraiva
7/8 a 27/9 – terças e quintas-feiras – 18h30 às 21h30
Público: atores e demais interessados com algum conhecimento em teatro, a partir de 15 anos
Inscrições: 16 a 31/7
Seleção: aula aberta (2/8 – quinta-feira – 18h30)
25 vagas
Esta oficina trabalhará todos os elementos da montagem teatral, lidando com interpretação, figurinos, cenários, iluminação, sonoplastia e demais elementos de composição. O texto escolhido é “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, só que adaptado ao mundo caipira e nada renascentista do filme “O Corintiano”, de Mazzaropi.
Graduado em Arte-Educação e mestre em Artes pela ECA-USP, Heitor Saraiva é ator, cenógrafo, figurinista e diretor. Foi orientador teatral no projeto Ademar Guerra e atuou no longa “Cafundó”, dirigido por Paulo Betti, e em espetáculos da Cia. Os Satyros. 

Oficina de Iniciação Teatral
Coordenação: William Gutierre
1/8 a 19/9 – quartas-feiras – 18h30 às 21h30
Público: interessados a partir de 15 anos
Inscrições: 16 a 28/7
Seleção: primeiros inscritos
25 vagas
Através de jogos teatrais e exercícios, a oficina pretende iniciar os participantes no fazer teatral, desenvolvendo a espontaneidade, concentração, imaginação e trabalho coletivo.
Formado na Indac Escola de Atores, William Gutierre estagiou com a companhia francesa Théâtre du Soleil e atuou em espetáculos como “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, e “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, de Fernando Arrabal.

Oficina de Teatro para Iniciantes
Coordenação: Isadora Ferrite
4/8 a 29/9 – sábados – 14h às 18h
Público: interessados a partir de 16 anos
Inscrições: 16 a 31/7
Seleção: primeiros inscritos
20 vagas
Partindo da leitura de textos, a oficina propõe exercícios de improvisação, individuais e coletivos, com foco na construção da personagem, considerando ainda aspectos como música, luz e figurino, entre outros.
Isadora Ferrite é formada pelo NIC – Instituto del Cine de Madrid, na Espanha, e pelo Centro de Artes Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Atuou sob a direção de encenadores importantes, como Zé Celso, Roberto Lage e Vladimir Capella, em espetáculos como: "Os Sertões", "A Mancha Roxa" e "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá".

Oficina de Iniciação Teatral para Crianças
Coordenação: Caio Marinho
4/8 a 29/9 – sábados – 16h às 18h
Público: crianças de 7 a 10 anos
Inscrições: 16 a 31/7
Seleção: primeiros inscritos
20 vagas
Esta atividade promove a iniciação no fazer teatral, partindo de jogos cênicos que buscam estimular o trabalho coletivo e desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a capacidade de expressão artística.
Caio Marinho é ator formado pelo Teatro Escola Macunaíma e integrante do Clã – Estúdio das Artes Cômicas. Atuou nos espetáculos “Quixote” (2008) e “Água” (2012) e dirigiu “A Perseguição” (2010). Foi arte-educador da equipe de Mediação Cultural do Centro Cultural São Paulo. 

Oficina Commedia Dell'Arte 
Coordenação: Tiche Vianna
13 a 17/8 – segunda a sexta-feira – 18h30 às 21h30
Público: interessados com conhecimento em teatro, a partir de 15 anos
Inscrições: 16/7 a 3/8
Seleção: carta de interesse
20 vagas
Com estudo teórico e atividades práticas, esta oficina trabalhará a Commedia Dell’Arte – gênero de teatro que surgiu na Itália, no século XVI, tendo como principais características a improvisação, o uso da meia máscara expressiva e a presença de personagens arquetípicos, como Arlequim, Colombina e Pantalão.  
Tiche Vianna é atriz, diretora e pesquisadora de teatro, formada pela EAD-USP. Especializou-se na Itália nas linguagens de máscaras e Commedia Dell’Arte, na Università degli Studi di Bologna e no Firenze of Papier Mâché. Foi coordenadora da Escola Livre de Teatro de Santo André e docente na Unicamp. Fundou o Barracão Teatro.



Patrimônio Cultural

Grupo de Experimentação Artística: Estação Mazzaropi
Coordenação: Eda Nagayama
18/8 a 27/9 – terças e quintas-feiras – 18h30 às 21h30 | sábados – 14h30 às 17h30
Público: interessados na confluência de diversas linguagens artísticas, a partir de 15 anos
Inscrições: 16/7 a 15/8
Seleção: carta de interesse
25 vagas
Simulando uma viagem, esta atividade percorrerá a vida e a obra de Mazzaropi em seis paradas temáticas – nas “estações” Santa Cecília/Taubaté, Tremembé, Troupe Mazzaropi, Tupi, Vera Cruz e Trem Caipira – onde se dará o encontro das linguagens do teatro, literatura, dramaturgia, artes visuais e mídias digitais.
Eda Nagayama é formada em Artes Cênicas e mestre em Comunicação e Estética do Audiovisual pela ECA-USP. Como atriz, participou de “BR3”, do Teatro da Vertigem, e de “VemVai – O Caminho dos Mortos”, da Cia. Livre de Teatro. No cinema, atuou em “Gaijin – Ama-me como Sou” e escreveu e dirigiu o curta “Fake”; na TV, participou de novelas da Record, Band e SBT.



Oficina Cultural Amácio Mazzaropi
Avenida Rangel Pestana, 2401 – Brás/ SP
11 2292-7071 / 2292-7711

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Espaços de Intervenção: A arte que toma lugares públicos muda paisagens e dialoga com os habitantes da cidade


Epopeia Paulista, painel localizado na Estação da Luz do metrô, Maria Bonomi


Quando pensou a posição do Monumento às Bandeiras, uma homenagem aos sertanistas dos séculos 17 e 18, entregue a São Paulo em 1953, o escultor italiano radicalizado no Brasil Victor Brecheret fez uma única exigência: a cabeça da escultura principal da obra deveria estar voltada para o Pico do Jaraguá. O ponto mais alto da cidade era o primeiro que os bandeirantes vindos pelo rio Tietê avistavam quando retornavam de missões pelo interior do Brasil.

Antes mesmo de ser criado o termo site-specific, que define obras de arte pensadas para um lugar específico, em geral com grande circulação, dialogando com o espaço, o monumento de Brecheret, localizada no Ibirapuera, zona sul da metrópole, já podia ser classificado como tal, ou como arte pública. “As pessoas se identificam tanto com aquela escultura que a abraçam, tiram foto, andam ao redor, quase que fazem escaladas”, explica o professor de pós-graduação em arte pública da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP) João Spinelli.

O site-specific surge no final da década de 1960 e início da de 1970 na esteira do minimalismo, que ressalta formas elementares de cortes geométricos. Ele se insere num momento em que a contracultura ganha força, valores artísticos são colocados em xeque, a pop art desponta e os meios de comunicação de massa se tornam cada dia mais presentes na vida das pessoas. Inicia-se a era da profusão de imagens efêmeras, intensificada nos últimos 20 anos com a internet.

É a arte feita e mostrada fora dos espaços tradicionalmente dedicados a ela – museus e galerias -, mudando radicalmente a paisagem a seu entorno. “Assim como precisamos de muitos hospitais, escolas, melhorias urbanísticas, precisamos de melhorias paisagísticas e também desse diálogo dos cidadãos com os artistas. Eles vivificam a cidade”, acrescenta o professor da ECA.

Essa comunicação com o público, no entanto, em alguns casos, como o do escultor norte-americano Richard Serra, é feita por meio do conflito. Considerado um dos mais importantes artistas contemporâneos, Serra colocou, em 1981, um extenso arco de aço no meio da Federal Plaza, em Nova York. A intervenção gerou indignação de alguns moradores, que entendiam como um obstáculo no caminho e não como um convite à reflexão sobre o contexto político, cultural, social daquele momento, materializado no trabalho de Serra.

Se por um lado a arte pública provoca embates, por outro pode mudar a vida de uma comunidade inteira. Um exemplo disso é a intervenção de Ruy Ohtake, em Heliópolis, região que tem cerca de 120 mil habitantes, localizada na zona sul de São Paulo. O arquiteto paulistano projetou e construiu no local um conjunto de edifícios circulares onde funcionam apartamentos residências, biblioteca, creches, escolas técnicas, em um terreno de 35 mil metros quadrados.

A relação de Ohtake com a comunidade de Heliópolis começou em 2003 quando ele foi convidado a mudar a fachada de casas da região. O projeto A Cor em Heliópolis, que contou com o trabalho de oito pintores locais, deu início então a esse processo de revitalização e embelezamento.

Também em São Paulo, intervenções de artista ítalo-brasileira Maria Bonomi mudam a paisagem urbana, criando diálogos com os transeuntes, como é o caso de Epopeia Paulista, construído em 2004 e instalado na Estação da Luz. “Acredito piamente que a arte é um item essencial para a vida das pessoas; aliás, mais do que isso ela é um direito à sensibilização e ao conhecimento de todo ser em sua vida tanto a higiene, a alimentação etc. a arte forma, informa e dá sentido à energia do mundo”, ressalta Maria Bonomi.

No Brasil, outros artistas como Carmela Gross, José Rezende, Grupo Tupinão Dá, Osgemeos, Binho Ribeiro, Alex Valluari, Carlos Fajardo e Regina Silveira se inserem nesse grupo, com instalações, painéis, arte em muros, praças, estações de trem.

Escadas, intervenção da artista plástica Carmela Gross, no Sesc Belenzinho
O Beco do Batman, na Vila Madalena, virou referência de ocupação do espaço público após grafiteiros e artistas plásticos revitalizarem a antiga viela

Fonte: Revista E. Espaços de Intervenção. Sesc. São Paulo: Junho/2012.

sábado, 14 de julho de 2012

Resenha: Bom Retiro 958 Metros (Teatro da Vertigem), por Anderson Borges e Joyce Gomes

Bom Retiro 958 Metros (Teatro da Vertigem)
No domingo 8 de julho realizamos um pequeno passeio entre amigos, que são amantes do teatro e da arte, para São Paulo. Nesse passeio, assistimos à peça “Bom Retiro 958 Metros”, novo trabalho do Teatro da Vertigem, que se destaca como um dos principais grupos teatrais do país e se caracteriza pela exploração de ambientes inusitados para a execução de seus trabalhos. Sem dúvida alguma um espetáculo que merece a atenção de todos os que se interessam por teatro e também por São Paulo, haja vista que o grupo expõe fantasticamente as várias facetas da capital paulista. 


Partimos da Oficina Oswald de Andrade para o local onde se iniciaria a peça. Chegando ao ponto de encontro ouvimos uma rádio tocando em volume alto e nos deparamos com uma moça sentada na frente de uma loja e esta permanecia imóvel. A peça começara e a principio nem havíamos notado. O fluxo de pessoas aumentou e chegaram alguns carregadores trazendo caixas grandes para descarregar os produtos na loja. O movimento no Bom Retiro se iniciou. A porta se abriu e a atenção se prendeu definitivamente na movimentação ocorrida destes e de futuras ações. 


No decorrer de toda essa perambulação, percebemos diversas pessoas se movimentando. Havia a vigia (aquela que estava na frente apenas observando), depois veio à faxineira, a radialista, Isto é, desde a consumista eternamente insatisfeita à procura do vestido perfeito até a boliviana escravizada em sua máquina de costura. Com isso, percebemos que, a peça escancara os diversos personagens e suas realidades individuais dentro da realidade da “selva de pedra”, incluindo o rapaz que sempre procura pela sua pedra e que se funde a ela no final da trama. 


Além disso, a peça faz um misto entre o presente e o passado... O que podemos dizer sobre a cena onde a representação do passado do bairro do Bom Retiro se atira do prédio, que dá lugar aos sem teto e viciados? Ou então o que podemos dizer a respeito do desfile fashion em plena avenida, trazendo a frase “No meio do caminho havia uma pedra”, permitindo a alusão ao poema do Carlos Drummond de Andrade, bem como à crueza dos tempos relacionando a pedra ao consumo de drogas? 


É um espetáculo que nos encanta pela sua ousadia, que invade a metrópole em tempos onde artistas de rua são reprimidos com violência. É uma peça que cativa por mostrar de forma crua e fria a decadência, sem tempo para emoções, surpreendendo o público chamando-o para a razão constantemente em suas duas horas de teatro. Percebemos no decorrer da trama que os personagens são tão reais, eles instigam e prendem a nossa atenção direcionando-nos sempre para a próxima cena, próxima ação. Além dessas pessoas, o espetáculo conta com uma iluminação inesperada, utilizando “holofotes” em espaços determinados como lojas, corredores e postes públicos adaptados. E isto vem acompanhado da sonoplastia, do cenário bem como do figurino... E tudo isso em conjunto, transmite uma unidade, trabalho ímpar, permitindo-nos esquecer que é algo coletivo. 


Recomendamos, seja você artista, arteiro ou apenas interessado por arte, que vivencie essa experiência memorável, que encanta e desperta a paixão pela arte, e, ainda mais, traz à tona a sensibilidade para a realidade caótica da “terra da garoa”, cobrando uma posição e ação dos nossos governantes.

--

Anderson Borges de Santana

Professor da Rede de Ensino de Suzano, Graduado em Pedagogia (UMC), Pós-Graduado em Educação Especial (Uninove), participante da Diretoria Executiva da Associação Cultural Opereta, bem como do Núcleo Teatral e Comunicação da Opereta e integrante do Cia. Siso Teatral. Atualmente desenvolve o blog da Associação Cultural Opereta, bem como Cia. Siso Teatral .



Joyce Cristina Leme Gomes 

Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC), Graduando em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). É voluntária como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Organização Não Governamental (ONG) Associação Cultural Opereta. Atualmente desenvolve o blog da Associação Cultural Opereta, Joyce Gomes: Professora e Publicitária e Cantinho das Letras.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Agenda Cultural: Virada Cultural de São Paulo começa no sábado

A 8ª Virada Cultural de São Paulo acontece entre as 18h deste sábado (5) e as 18h de domingo (6). Os destaques desse ano são as apresentações de Gilberto Gil, no Palco Júlio Prestes, Os Mutantes, os norte-americanos do Suicidal Tendencies e os Titãs, que fazem uma apresentação do álbum Cabeça Dinossauro, todos no Palco São João. 

A programação completa pode ser conferida no site http://www.viradacultural.org/programacao.

Fonte: Jornal Sete